Acredito que praticamente todo carioca, que anda de carro pela cidade, já presenciou situação idêntica ou no mínimo muito parecida. Mas então... o que tal situação teria a ver com Ayn Rand e o Objetivismo?
Voltemos aos dizeres do papel grampeado no pacote de bala:
"Por favor, me AJUDE comprando este pacote de balas por apenas R$ 1,00".
Afirmo que eles se acham vítimas e se valem disso para comover e obter ganhos não por mérito, e sim por pena. Segundo a ética do "Objetivismo", ninguém deve ser considerado dígno de pena e muito menos se achar dígno de tal sentimento. Por mais que as limitações e dificuldades de fato existam para muitos de nós, sempre existe a opção pela adoção de uma postura proativa. Ao invés de se aproveitar de uma situação precária para tentar conseguir ganhos sem relativo muito esforço, é possível se esforçar, conseguir superar as adversidades e ser recompensado por mérito do próprio trabalho.
São conhecidos alguns exemplos de pessoas que, como as mães das meninas do sinal, também não tinham um cenário muito favorável, porém tiveram uma abordagem completamente diferente em relação ao rumo de suas vidas.
Um dos meus exemplos preferidos, é sobre a história da "Banca do David". David foi demitido da empresa onde trabalhava como motorista e não tinha mais dinheiro para pagar o aluguel do barraco na favela onde morava. Foi despejado e passou a morar na rua com a família. Ao invés de lamentar, esmolar ou tentar qualquer outro tipo de ganho focado no sentimento de pena oriundo de outros, David pegou o pouco do dinheiro que sobrara e montou um pequena barraca de doces. Hoje é dono de uma agência e já viajou o mundo inteiro dando palestras sobre marketing de vendas. A história pode ser lida em sua íntegra no site da Banca do David: http://www.bancadodavid.com.br/historia.php
Outro exemplo fantástico é a história da carioca Zica. Moradora de favela e trabalhando como empregada doméstica desde os 9 anos de idade, Zica tinha um sonho: Inventar um creme (produto de beleza) para amaciar e alisar cabelos crespos. Durante 10 anos ela tentou... até que conseguiu! Hoje é a milionária dona de uma rede de salões de beleza. Patenteou a fórmula do creme. Saiu na veja: http://veja.abril.com.br/180106/p_088.html
Concluindo, acho que a mensagem do "Objetivismo" nesse aspécto é bem clara, e os exemplos acima são prova disso:
"Não sinta pena de si próprio e de ninguém. Não espere que sintam pena de você."
"Aja. Encontre um meio."
"Não espere receber algo sem pagar pelo mesmo."
E uma das afirmações mais polêmicas (pois vai de encontro a toda filosofia Altruísta em que nós fomos educados e ensinados a séculos):
"Não dê nada sem obter o pagamento merecido / desejado em troca".
Confesso que já comprei muitos desses pacotes de balas. Também já dei esmolas e já atendi a vários pedidos de "ajuda" do tipo "Aê tio... compa aí pá mi ajudá?"
Agora resolvi mudar de atitude. Só compro se realmente estiver afim de chupar bala. Não dou mais esmolas. Nunca fiz essas coisas esperando algo em troca. Fazia por fazer... ou por achar que deveria ser feito. Afinal... se eu não estiver com vontade de chupar bala e comprar um pacote de balas por sentimento de pena de quem está vendendo... onde está o meu "algo em troca"? Onde está o meu pagamento?
No entanto, sou capaz de dar uma moeda ou uma nota a alguns poucos e verdadeiros artistas de rua que ocasionalmente encontro nos sinais pela cidade. Talvez alguns estejam pensando:
"Esse careca é maluco... Não estou entendendo mais nada que ele diz!!! :o)"
A explicação é relativamente simples: Faço uma análise.
1) Qual a atitude dele (artista de rua)? É uma atitude empreendedora, proativa... ou ele está tentando ganhar a clientela pelo sentimento de pena?
2) O que ele está me vendendo... me paga? Tem o meu "algo em troca"?
No caso da segunda questão, o que me paga é o meu "prazer egoísta" que tenho em reconhecer um bom artista e o seu trabalho. Ao entregar uma moeda ou nota, não faço para ajudar. Não estou me sacrificando em nada. Faço por mim.
Vou ficando por aqui.
Até a próxima!!!